Jadson Alcantara

O meu vizinho do lado
Se matou de solidão
Ligou o gás, o coitado
Último gás do bujão
Porque ninguém o queria
Ninguém lhe dava atenção
Porque ninguém mais lhe abria
As portas do coração
Levou com ele seu louro
E um gato de estimação
Há tanta gente sozinha
Que a gente mal adivinha
Gente sem vez para amar
Gente sem mão para dar
Gente que basta um olhar
Quase nada
Gente com os olhos no chão
Sempre pedindo perdão
Gente que a gente não vê
Porque é quase nada.

Vinícius de Moraes.   

Sabe, quando a gente tem vontade de encontrar a novidade de uma pessoa, quando o tempo passa rápido quando você está ao lado dessa pessoa, quando dá vontade de ficar nos braços dela, e nunca mais sair. Sabe, quando a felicidade invade quando pensa na imagem da pessoa, quando lembra que seus lábios encontraram outros lábios de uma pessoa, e o beijo esperado ainda está molhado e guardado ali em sua boca. Que se abre e sorri feliz quando fala o nome daquela pessoa, quando quer beijar de novo muitos lábios desejados da sua pessoa, quando quer que acabe logo a viagem que levou ela pra longe daqui.

Nando Reis.

Se eu pudesse eu pegava a dor, colocava em um envelope e devolvia ao remetente.

Mário Quintana    

O homem se vinga porque acha que está fazendo justiça. Isso significa que ele encontrou o motivo original, o fundamento, ou seja: a justiça. Disso decorre que ele está tranquilo de todos os lados e consequentemente, efetua sua vingança tranquila e eficiente, pois está convencido de que executa uma ação honesta e justa. De minha parte, não vejo nisso nenhuma justiça, não encontro nenhuma virtude e, por conseguinte, se resolvo me vingar, é unicamente por maldade.

Fiódor Dostoiévski. 

Eu sei, sou um porre. É muito difícil me aturar. Eu sei que você não tem paciência, mas aguenta mais um pouco. Sei o drama e a confusão que sou, mas não desiste de me entender. Sei que dá vontade de me mandar embora, de me jogar em meios aos lobos, mas espere… Não faça isso, por favor! Se for para me jogar em algum lugar, que seja embaixo dos teus abraços e diga que apesar de tudo, eu sou inesquecível.

Jô Costa.  

Ultimamente tenho ido muito afogar as magoas naquele bar bastante frequentado na esquina da Brasil com a Augusta. Reparei esses dias em uma linda jovem de olhos verdes e cabelos pretos com uma pinta sexy perto da boca. Achei intrigante uma pessoa daquele porte estar ali naquele bar cheio de pessoas desiludidas. Me aproximei disfarçadamente para observá-la melhor, me surpreendi ao vê-la pedir ao garçom suco de hortelã com laranja, limão e couve. Que pedido estranho! Busquei então puxar algum assunto perguntando do tempo, e, conversa vem, conversa vai, acabamos conhecendo um pouco um do outro e o motivo de termos ido naquele bar, eu, coração partido, afogador de mágoas, semi alcoólatra, ela, em busca de diversão, queria deixar de ser a moça da mamãe. Saímos juntos aquela noite, e desde então fomos saindo cada vez mais. Li em algum lugar que curamos um amor com outro até acharmos um definitivo, e, ela foi assim pra mim, meu band-aid. Passou-se o tempo, ela cansou de se divertir comigo e foi com outros caras, e eu voltei ao “ultimamente tenho ido bastante ao bar na esquina da Brasil com a Augusta”. Essa não foi minha ultima paixão, mas me sinto lisonjeado por apenas sentir algo bom entre idas e vindas dos bares.

Could you be my salvation? Thiago Polycarpo.   

Não perca a oportunidade de ser feliz. Evite se lembrar das coisas ruins que ficaram no passado e não cutuque feridas cicatrizadas. Jogue fora os pensamentos ruins, não esconda o seu coração por medo de se machucar novamente. A vida é feita de recomeços, por isso dê uma nova chance para si mesmo e construa uma outra forma de ser feliz, existem tantas. Se encha de esperança, coragem e determinação. Não deixe nunca de acreditar que o seu futuro será melhor que o seu presente. Hoje você pode ter caído, mas amanhã irá se levantar.

Quando o sol se põe

Quem é capaz de soprar a tristeza pra bem longe?

Charles Bukowski. 

De longe, vejo o que ninguém vê,
escrevo o que vejo,
mesmo sabendo
que ninguém vai ler.
Capturei imagens e sons,
à lápis, tudo coloquei no papel.
Um dia tudo se acabará,
com ou sem pincel.
Canto e toco sem mexer na alma,
faço disso o meu desencanto,
colorido ou em preto e branco,
pinto todo o meu pranto.

Glossariando 
Dor

Eu machuquei a mim mesmo hoje para ver se ainda sinto.Eu me concentro na dor,a única coisa  que é real.A agulha abre um buraco,a velha picada familiar,tento apagar tudo mas eu me lembro de tudo.O que me tornei, minha mais doce amiga? Todos que eu conheço vão embora no final.E você poderia ter tudo isso meu império de sujeira,vou te desapontar,eu farei você sofrer.Eu uso essa coroa de espinhos sobre meu trono de mentiras cheio de ideias partidas que eu não posso consertar.Sob as manchas do tempo os sentimentos desaparecem.Você é outra pessoa.Eu ainda estou aqui.Se eu pudesse começar de novo a milhões de milhas de distância,eu me salvaria,eu encontraria um jeito.

Johnny Cash

Se você quer ser feliz, terá que aprender a ignorar muita coisa.

Renato Russo. 

Não tinha medo o tal João de Santo Cristo, era o que todos diziam quando ele se perdeu. Deixou pra trás todo o marasmo da fazenda só pra sentir no seu sangue o ódio que Jesus lhe deu. Quando criança só pensava em ser bandido, ainda mais quando com um tiro de soldado o pai morreu, era o terror da sertania onde morava e na escola até o professor com ele aprendeu. Ia pra Igreja só pra roubar o dinheiro que as velhinhas colocavam na caixinha do altar, sentia mesmo que era mesmo diferente, sentia que aquilo ali não era o seu lugar. Ele queria sair para ver o mar, e as coisas que ele via na televisão. Juntou dinheiro para poder viajar, de escolha própria escolheu a solidão. Comia todas as menininhas da cidade e de tanto brincar de médico aos doze era professor, aos quinze foi mandado pro reformatório onde aumentou seu ódio diante de tanto terror. Não entendia como a vida funcionava, a discriminação por causa da sua classe e sua cor. Ficou cansado de tentar achar a resposta e comprou uma passagem, foi direto à Salvador. E lá chegando foi tomar um cafezinho e encontrou um boiadeiro com quem foi falar. E o boiadeiro tinha uma passagem, ia perder a viagem, mas João foi lhe salvar. Dizia ele “Estou indo pra Brasília, neste país lugar melhor não há. To precisando visitar a minha filha, eu fico aqui e você vai no meu lugar.” E João aceitou sua proposta e num ônibus entrou no planalto central, ele ficou bestificado com a cidade e saindo da rodoviária viu as luzes de Natal. “Meu Deus, mas que cidade linda! No Ano Novo eu começo a trabalhar.” Cortar madeira, aprendiz de carpinteiro, ganhava cem mil por mês em Taguatinga. Na sexta-feira ia pra zona da cidade gastar todo seu dinheiro de rapaz trabalhador, e conhecia muita gente interessante, até um neto bastardo do seu bisavô. Um peruano que vivia na Bolívia e muitas coisas trazia de lá. Seu nome era Pablo e ela dizia que um negócio ele ia começar. E o Santo Cristo até a morte trabalhava, mas o dinheiro não dava pra ele se alimentar, e ouvia às sete horas no noticiário que sempre dizia que o seu ministro ia ajudar. Mas ele não queria mais promessa e decidiu que como Pablo ele ia se virar, elaborou mais uma vez seu plano santo e sem ser crucificado, a plantação foi começar. E logo, logo os malucos da cidade souberam da novidade: “Tem bagulho bom aí!” e João de Santo Cristo ficou rico e acabou com todos os traficantes dali. Fez amigos, frequentava a Asa Norte e ia pra festa de rock pra se libertar. Mas de repente sob uma má influência dos boyzinhos da cidade começou a roubar, já no primeiro roubo ele dançou e pro inferno ele foi pela primeira vez. Violência e estupro do seu corpo “Vocês vão ver, eu vou pegar vocês.” Agora o Santo Cristo era bandido destemido e temido no Distrito Federal, não tinha nenhum medo de polícia, capitão ou traficante, playboy ou general. Foi quando conheceu uma menina e de todos os seus pecados ele se arrependeu, Maria Lúcia era uma menina linda e o coração dele pra ela o Santo Cristo prometeu. Ele dizia que queria se casar e carpinteiro ele voltou a ser “Maria Lúcia, eu pra sempre vou te amar e um filho com você eu quero ter.” O tempo passa e um dia vem na porta um senhor de alta classe com dinheiro na mão, e faz uma proposta indecorosa e diz que espera uma resposta, uma resposta de João. “Não boto bomba em bancas de jornal, nem em colégio de criança, isso eu não faço não. E não protejo general de dez estrelas que fica atrás da mesa com o cu na mão. E é melhor senhor sair da minha casa, nunca brinque com um Peixes com ascendente Escorpião. Mas antes de sair, com ódio no olhar o velho disse “Você perdeu a sua vida, meu irmão.” “Você perdeu a sua vida, meu irmão, você perdeu a sua vida, meu irmão. Essas palavras vão entrar no coração e eu vou sofrer as consequências como um cão.” Não é que Santo Cristo estava certo, seu futuro era incerto e ele não foi trabalhar, se embebedou e no meio da bebedeira descobriu que tinha outro trabalhando em seu lugar. Falou com Pablo que queria um parceiro e também dinheiro e queria se armar. Pablo trazia o contrabando da Bolívia e Santo Cristo revendia em Planaltina. Mas acontece que um tal de Jeremias traficante de renome apareceu por lá, ficou sabendo dos planos de Santo Cristo e decidiu que, com João ele ia acabar. Mas Pablo trouxe uma Winchester-22, e Santo Cristo já sabia atirar. E decidiu usar a arma só depois que Jeremias começasse a brigar. Jeremias, maconheiro sem vergonha organizou a rockonha e fez todo mundo dançar. Desvirginava mocinhas inocentes, se dizia que era crente, mas não sabia rezar. E Santo Cristo há muito não ia pra casa, e a saudade começou a apertar. “Eu vou me embora, eu vou ver Maria Lúcia, já ta em tempo de a gente se casar.” Chegando em casa então ele chorou e pelo inferno ele foi pela segunda vez, com Maria Lúcia, Jeremias se casou e um filho nela ele fez. Santo Cristo era só ódio por dentro e então o Jeremias pra um duelo ele chamou. “Amanhã às duas horas na Ceilândia em frente ao lote 14, é pra lá que eu vou. E você pode escolher as suas armas que eu acabo mesmo com você, seu porco traidor. E mato também Maria Lúcia, aquela menina falsa pra quem jurei o meu amor. E Santo Cristo não sabia o que fazer, quando viu o repórter da televisão que deu notícia do duelo na TV, dizendo a hora, o local e a razão. No sábado então, às duas horas todo o povo sem demora foi lá só pra assistir. Um homem que atirava pelas costas e acertou o Santo Cristo, começou a sorrir. Sentindo o sangue na garganta, João olhou pras bandeirinhas e pro povo a aplaudir, e olhou pro sorveteiro e pras câmeras, e pra gente da TV que filmava tudo ali. E se lembrou de quando era uma criança e de tudo que vivera até ali, e decidiu entrar de vez naquela dança. “”Se a via-crucis virou circo, estou aqui.” E nisso o sol cegou seus olhos e então Maria Lúcia ele reconheceu, ela trazia a Winchester-22, a arma que seu primo Pablo lhe deu. “Jeremias, eu sou homem, coisa que você não é, e não atiro pelas costas não. Olha pra cá, filha da puta, sem vergonha, dá uma olhada no meu sangue e vem sentir o teu perdão.” E Santo Cristo com a Winchester-22 deu cinco tiros no bandido traidor, Maria Lúcia se arrependeu depois e morreu junto com João, seu protetor. E o povo declarava que João de Santo Cristo era santo porque sabia morrer, e a alta burguesia da cidade não acreditou na história que eles viram na TV. E João não conseguiu o que queria quando veio pra Brasília, com o diabo ter. Ele queria era falar pro presidente, pra ajudar toda essa gente que só faz… Sofrer.

Legião Urbana.